Na concepção de Paulo Freire (1996), aprendizagem independe de lugar e hora, bem como também não está vinculada exclusivamente às informações trazidas pelo professor, nem também à sua metodologia de trabalho. Acontece simultaneamente com a vivência, ou seja, as pessoas aprendem coisas novas a cada instante e com os mais diversos meios, na maioria das vezes, longe de uma perspectiva sistematizada ou metodologicamente formalizada. Nessa concepção, educador é um facilitador da aprendizagem.
Conforme “As Orientações Curriculares Estaduais para o Ensino Médio” (2005 p. 42.) “os espaços de aprendizagem extrapolam as dimensões da sala de aula ampliando-se para bibliotecas, espaços virtuais, dentre outros, onde a condição para a aprendizagem aconteça”. É nesse sentido que o ato pedagógico deve pretender a inserção de novos conteúdos através de uma constate busca de novas possibilidades de interação entre os elementos que aprendem. Nessa abordagem cita-se também o educador como um eterno aprendiz, não apenas de novos conteúdos, mas também e principalmente de novas formas de relacionar tais conteúdos com as possíveis formas de desenvolvimento dos mesmos dentro do trabalho pedagógico
Num Projeto de Monitoria em Matemática, desenvolvido a partir da atuação dos próprios educandos, o critério central é o da cooperação mútua, em que se buscam estabelecer o aperfeiçoamento individualizado, com o objetivo de se atingir o equilíbrio coletivo em relação aos conteúdos relacionados à Matemática, possibilitando assim avanços significativos em relação a aprendizagem dessa disciplina e consequentemente ao processo educativo sistematizado no ambiente escolar. Desse modo podem-se criar conexões entre os mais diversos conceitos matemáticos e entre diferentes formas de raciocínio com base nesses conceitos.
Em se tratando de Matemática, uma disciplina considerada de difícil acesso pela grande maioria dos educandos, torna-se necessário a implantação de projetos que sejam criteriosos a abrangentes e que a desmistifiquem para esses educandos. Nesse sentido torna-se necessário que os professores dessa disciplina se envolvam em programa que vise a ampliação das possibilidades de desenvolvimento da aprendizagem da Matemática, como meio de superar essa suposta inacessibilidade.
Facilitando-se a compreensão dos conteúdos matemáticos elementares como as operações básicas de adição, subtração, multiplicação e divisão o desenvolvimento da curiosidade intelectual criam-se nos educandos a confiança de que eles necessitam para seguir em frente na busca de novas descobertas, estimulando-lhes o senso crítico e a autonomia. O que propõe um projeto pedagógico que possibilita a reflexão e a discussão entre os próprios educandos de conteúdos desenvolvidos na sua formação é uma prática educativa libertadora, desvinculada de padronizações e de paradigmas. Uma pratica que se propõe a considerar os avanços sociais tecnológicos e científicos e históricos.
Por trás dessa proposta verifica-se reconhecimento de que é possível dinamizar a aprendizagem através da atuação dos próprios educandos. Tal fato evidencia a importância dos mesmos na construção do conhecimento e consequentemente da sua contribuição no processo de evolução em que se encontra a sociedade como um todo e na sua própria transformação. É nesse sentido que se pode considerar a importância de um Projeto de Monitoria em Matemática no Ensino Médio como forma de se possibilitar uma melhor participação da Escola na construção de uma sociedade cada vez mais igualitária.
Trata-se, portanto, de um projeto que vem possibilitar o compartilhamento dinâmico e produtivo dos conteúdos matemáticos entre os educandos através do desenvolvimento de atividades de acompanhamento e esclarecimento sistemático de um grupo de monitores aos alunos participantes. Estes monitores receberão constantemente orientação pedagógica e didática adequadas pelo educador e atuarão em horários específicos, estabelecidos de acordo com a disponibilidade, tanto dos monitores, quanto dos demais participantes
É nesse sentido que Paulo Freire (1996, p. 42) afirma que “uma das tarefas mais importantes da prática educativa crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ensaiam a experiência profunda do assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar.
Um Projeto dessa natureza precisa levar em conta todos os aspectos que envolvem Sistema Público Educacional e a isso está relacionado às instalações físicas da Unidade Escolar onde o projeto está sendo desenvolvido, bem com todo suporte técnico e a disponibilidade de material didático para ser utilizado. Constitui-se, portanto, num recurso imprescindível para o resgate da produtividade no processo de ensino-aprendizagem dos conteúdos de matemática e do papel da Escola enquanto instrumento de suporte social, uma vez que possibilita a discussão dos conteúdos entre os educandos e entre estes e o professor com o objetivo de que todos se ajudem mutuamente.
Os monitores serão selecionados entre os estudantes com base na observação do professor a respeito de aspectos como: o bom desempenho na aprendizagem dos conteúdos matemáticos desenvolvidos em sala de aula; a disciplina na realização das tarefas propostas pelo professor; o nível de relacionamento com os demais colegas e a responsabilidade apresentada no decorrer das atividades pedagógicas.
Cada monitor será responsável pelo atendimento a um grupo de participantes, que serão agrupados conforme o grau de desenvolvimento apresentado, havendo um processo de revezamento, para que todos os participantes entrem em contato com todos os monitores, possibilitando assim oportunidades de que os conteúdos sejam vistos sob diversos ângulos. Nesse sentido, as ações desenvolvidas pelos monitores funcionarão como reforços para a aprendizagem daqueles estudantes que apresentam um ritmo de acompanhamento diferenciado para que sejam nivelados gradativamente. Desse modo, pode-se considerar o Projeto de Monitoria como sendo um trabalho de nivelamento. Somente após cada aula é que serão determinados os conteúdos e serem trabalhados pelos monitores.
Educar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção (FREIRE, 1996, p. 25). Nesse sentido, reconhecendo-se que o processo de desenvolvimento intelectual e psicológico das crianças e dos adolescentes é um processo gradativo, e está relacionado com uma série de fatores internos e externos a estes indivíduos, torna-se necessário que haja uma preparação dos monitores na questão do relacionamento pessoal e afetivo. Essa preparação deverá ser efetivada a partir da indicação do professor de referências básicas a respeito dessas questões e da posterior verificação do mesmo nesse sentido.
Portanto os monitores precisam ser selecionados a partir de um processo criterioso que identifique o nível de conhecimentos desses monitores, bem como a sua capacidade de lidar com seus colegas. Nesse sentido, não basta que os educandos selecionados para a monitoria tenham bom desempenho em relação aos conteúdos matemáticos. Mas que principalmente se envolva de forma afetiva na busca do aperfeiçoamento dos seus colegas participantes.
A monitoria é facultativa ao corpo discente, optando por ela aqueles estudantes que tiverem necessidade e interesse em aprimorar seu nível de aprendizagem de em relação aos conteúdos matemáticos e que tenham disponibilidade de tempo, uma vez que, a monitoria será realizada em turno oposto àquele em que o educando freqüenta normalmente às aulas.
Conforme Cória-Sabini, (1986, p. 44) As tarefas devem ser elaboradas de modo que possibilitem o progresso. Na medida em que o estudante adquire confiança em sua capacidade, ele começa a perseguir objetivos cada vez mais altos e se sente compensado a atingi-los. Desse modo, os monitores precisam ser capacitados para que possam perceber as situações que mereçam Intervenções, criando meios de resolverem problemas por si mesmos e criando alternativas quando necessário; demonstrar organização com seu material pessoal, com material de trabalho, nas explicações aos alunos, na distribuição das atividades; demonstrar segurança para com conteúdos que trabalham no sentido de que os participantes adquiram a confiança necessária para o bom desempenho seu do trabalho; e principalmente, se tornarem capazes de se fazer ouvir, respeitar e de dinamizar o trabalho, promovendo assim um bom relacionamento interpessoal.
A consciência dos seus deveres e zelo pelos materiais e equipamentos que utiliza, bem como manter-se assíduo e disponível, demonstrando interesse seu trabalho, deve ser uma constante nas atividades dos monitores, que deverão formular um plano de monitoria, orientados pelo professor da disciplina. Plano este que deverá ser entregue antes do início das atividades de monitoria.
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