quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Admiráveis Mundos Novos

Grandes demais, rápidos demais, de origem incerta e até sem órbita. São os planetas extra-solares, um enigma que a astronomia decifra aos poucos. Conheça esses astros misteriosos e saiba como seu estudo ajudou no “rebaixamento” de Plutão. Reprodução do planeta extra-solar HD 189733b: agora os astrônomos entendem por que ele passa tão próximo de sua estrela.
Você sabe quantos planetas orbitando estrelas distantes os astrônomos conhecem? É difícil responder. E a culpa é dos próprios astrônomos: devido ao volume das descobertas, as contas são refeitas constantemente. Só em maio passado foram anunciados 28 novos planetas, e o total deve chegar a 250 até o final do ano. O número é mais impressionante se levarmos em conta que há 15 anos não se conhecia nenhum deles. Mas a observação é só parte do trabalho. O maior desafio da astronomia é compreender a natureza dos planetas extra-solares e entender como surgem, de que são feitos, como interagem uns com os outros e com as estrelas a que estão ligados.No primeiro plano dessa busca por respostas está um planeta pouco maior do que Júpiter e, como ele, formado em sua maior parte por gases. Ele atende pelo complexo nome de HD 189733b, fica na constelação de Vulpécula, a 63 anos-luz da Terra, e tornou-se famoso em maio por ter sido o primeiro planeta extra-solar a ter sua superfície mapeada, ainda que de forma rudimentar. Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, da NASA, astrônomos de Harvard conseguiram identificar uma grande mancha na face iluminada do planeta, calcular temperaturas nas diferentes regiões e até estimar a velocidade dos ventos que varrem sua atmosfera a 9.000 km/h.
Dois meses depois,o HD 189733b voltou a ser assunto, desta vez por obra de um grupo de pesquisadores liderados pela italiana Giovanna Tinetti, do Instituto de Astrofísica de Paris. Também usando dados do Spitzer, ele s conseguiram analisar a atmosfera do planeta e encontraram, pela primeira vez, sinais da existência de vapor d’água (veja como se faz uma detecção assim no gráfico abaixo). “Essa observação é um alívio e mostra que estamos no caminho certo”, afirma o astrônomo Alan Boss. “A teoria diz que planetas gasosos gigantes devem possuir água em abundância. Se não detectássemos vapor em algum deles, eu ficaria bastante preocupado.”

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