Louis Armstrong nasceu paupérrimo, numa das mais miseráveis ruas de Nova Orleans, a quatro de julho de 1900, e muito cedo teve que ganhar a vida executando trabalhos humildes. Menino com uma educação apenas rudimentar, dirigia uma carroça puxada a cavalo, vendendo carvão de casa em casa.Fascinado pelas músicas tocadas pelas bandas que percorriam as ruas da cidade, pode-se imaginar quanto almeja possuir um belo pistão cintilante com o qual pudesse tocar num desses conjuntos musicais. Para isso, porém, era necessário dinheiro, o que ele não tinha. Assim, por algum tempo, teve que se contentar com a participação num grupo coral que se exibia pelas ruas para os transeuntes, enquanto um dos companheiros dançava na calçada.
Conseguiu sua primeira corneta em um reformatório, a Waifs’ Home, no qual fora internado após atirar para o ar com o revólver para festejar o Ano Novo, na passagem de 1912 para a1913. No reformatório teve a possibilidade de entrar para a banda musical e de rece3ber alguns ensinamentos de Peter Davies que era o maestro do grupo. Quando saiu, depois de um ano, Louis dominava o instrumento para satisfazer o trombonista Kid Ory, que o utilizava para substituir, em sua orquestra o grande Joe King Oliver, quando este tinha outro compromisso. King Oliver, por sua vez, considerava Louis Armstrong como filho e tomou-o sob sua proteção: o próprio Armstrong sempre reconheceu que aquele famoso cornetista exerceu sobre ele profunda influência.
Nesses anos, em Nova Orleans, já não se tocava apenas nas paradas de ruas e nas festas. A cidade estava cheia de casas de diversão e de salões de dança que pediam música continuamente. Havia ainda Stoyville, o “bairro das luzes vermelhas”, no qual estavam confinados os bordéis e os cassinos da cidade: o bairro cheio de gente suspeita, mas também de alegria e, naturalmente, de música Storyville, porém, acabou constituindo uma fonte de problemas para os marinheiros de navios de guerra ancorados no porto e, o engajamento dos estádios Unidos na Primeira Guerra Mundial não permitia nenhuma tolerância. Assim, em 1917, o Comando da Marinha de Guerra ordenou a evacuação do bairro: os prostíbulos, os cabarés, os cassinos e os salões de dança foram obrigados a fechar – e muitos músicos de jazz, desempregados, tiveram que deixar a cidade. A maior parte deles foi para o norte, principalmente para Chicago, acompanhando o fluxo migratório que naqueles anos estava levando centenas de milhares de trabalhadores do sul para as grandes cidades nortistas, cujas indústrias tinham necessidades urgentes de mão-de-obra para preencher os vazios criados pelo alistamento militar. Entre muitos negros que se mudaram para Chicago estava King Oliver, que se instalou, com sua orquestra, no Lincoln Gardens, uma das mais importantes casas de dança do south Side, o bairro negro. Armstrong seguiu-o, por ele convocado, em 1922.
Teve Louis de apelar para toda a sua coragem para ingressar naquela que era considerada a orquestra negra mais importante do momento, mas saiu-se muito bem, mesmo porque encontrou o auxílio do pianista do grupo, Lil Hardin, uma moça de Memphis que lhe ensinou a leitura de música e por quem ele se apaixonou. Casaram-se em 1924; para Armstrong, este era o segundo matrimônio, pois em Nova Orleans já havia sido casado com Daisy Parker. O novo casamento durou oito anos ( e seria seguido por mais dois, o último deles com a devotada Licille Wilson). (Quando se divorciou de Lil, em 1932, Armstrong já era famoso no mundo todo como o grande Satchmo – “boca de sapo” – apellido que lhe havia sido colocado pelo dirfetor do Melody Marker).
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