quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Banda de Pífanos de Caruaru (Uma Tradição Musical)

O canto dos pássaros, briga de animais, festas típicas, a beleza de um lugar: estes são alguns temas da Banda de Pífanos de Caruaru. Raramente o contato com o mundo “civilizado” consegue manter incólume a autêntica cultura popular. Quatro anos após se projetar, através da gravação de uma de suas músicas por Gilberto Gil, a banda continua desmentindo o postulado e mantendo-se fiel às suas raízes.
Seus temas foram tão simples e singelos, no show realizado na primeira quinzena de 1976, no Teatro Lira Paulistana, quanto suas vivências e observações. Daí resulta justamente seu mérito e surpresa maior, porque toda a sua temática está somente enunciada nos títulos de suas músicas, embora, o ouvinte e o espectador tenham exata sensação, durante a execução do espetáculo, de uma narrativa, por entre os acordes estridentes e tocantes dos pífanos.

A MAIS AUTÊNTICA MÚSICA POPULAR DO NORDESTE

Quando em 1924, Manoel Clarindo Biano, caboclo do sertão alagoano, reuniu a família e fundou uma pequena banda, ela contava com dois pífanos de taboca, um prato e um bombo amarrado por cordas. Marchas, alvoradas (chamadas para novelas) saiam lépidas dos musicais e acrobáticos pífanos. Doze anos após, quando chegam a Caruaru, a formação já era outra, com dois filhos, Benedito e Sebastião, ocupando os lugares que vagaram. E em 1955, posterior à morte do velho Manoel, a zabumba transformou-se definitivamente numa banda. Hoje, após 52 anos, a família Clarindo Biano, orgulha-se de uma tradição e prestígios intocáveis na “Capital do Agreste-Caruaru”.
Mais dois instrumentos foram incorpoprados: tarol e surdo. O repertório tradicional composto de novelas e terços foi substituído por composições próprias e certos locais de apresentação (enterros) foram eliminados.
Sugestões não faltaram – diz Benedito, o mais velho dos irmãos. “Insistiram para que colocássemos uma sanfona e um triângulo, mas aí nos transformaríamos numa orquestra. Deixo isso a critério da próxima geração”. Centrado nos pífanos, uma flauta de sete orifícios, atualmente construída tanto em taquara (a que eles usam) como em aço “níquel”, ou tubo plástico, o grupo consegui, com seu som esganiçado e próximo do oriental, despertar a atenção de platéias do sul.
Em sua formação, conta com Benedito Clarindo Biano, 67 anos (pífano) líder do conjunto; seu irmão Sebastião, 59 anos (pífano). Autor de quase todo o repertório; e dos filhos: Gilberto, 37 anos (taró); João. 36 anos (bombo); e dos sobrinhos: Mário, 34 anos (surdo) e José 24 anos (prato).
São ingênuos e surpreendem com tranqüilas confissões como esta:”Não entendemos música, somos analfabetos em notas musicais” e isso parece motivar ainda mais a atenção do público, que se delicia com as marcações e duelos de seu ritmo forte e contagiante e com a brilhante direção musical de João Biano.
Durante o show, um colorido repertório de xaxados, alvoradas, frevos e folclores se misturam com as estórias e as curiosidades da Banda, como o encontro com Lampião. Quando tocavam numa novena da Vila de Itaracatu, em Pernambuco, receberam a visita com cangaceiro e de seus cinqüenta companheiros, que pediram a execução de “Toque der Lampião”. Olha! Quase não conseguimos tocar. “A língua engrossou, os dedos ficaram duros e mijamos nas calças com medo de Lampião”.

Saiba mais sobre essa Banda Tradicional através do link;

http://www.imusica.com.br/artista.aspx?id=4701





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