domingo, 18 de dezembro de 2011

Travessia

Às vezes acordo no meio da noite
Dominado por um sentimento indizível...
Sinto que participo de admiráveis realidades
Cujos valores intensos
Fazem com que eu aprenda-me...
Olho o luar,
A imensidão de um azul tão meu
E sinto o quanto é grande
O Deus que me deu
Essa substanciosa chance
De perceber que há
Um rumo próprio que é meu
E que eu não posso
Negar-me a trilhar...
A brilhar estão as estrelas
E eu imagino vê-las como se elas
Estivessem aqui no meu lar...
E então percebo que tudo está
Bem além da minha humana
E tão limitada compreensão...
Apenas tenho a percepção
E isso basta nesse momento
Em que eu atravesso o Planeta Terra...

Visão

De onde trouxeste

Essa tão branda manhã?
Da tua lívida glória
Que sabiamente modifica os dias?
Por que me convidas
Para a tua misteriosa eternidade?
Através da verdade expressa
Nessa tua aura encantadora posso perceber
Como necessito aprender a me seguir...
Reconheço a necessidade da maturidade
Vindo na engenhosidade das constantes transições
E confesso: o nexo que habita
Milagrosamente em nós desde o início,
Apesar de muitas vezes
Parecer inexistente, permanece,
Ora latente ora preponderantemente presente
E se apresenta decididamente aos tempos
Em função do necessário e inevitável
Alargamento da nossa visão...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Autonomia

Minha terra cativa-me
Que dela sou nativo
Que nela me planto
E nasço a cada novo ato
Que me faz germinar e reflorescer...
Cultivo-me e minha terra
É meu abrigo que por entre cores
E aromas de flores
Faz de mim uma mistura
De essências nobres capazes
De provocar no tempo alternativas santas...
A minha Terra canta
E manda que eu seja intenso
Que eu seja denso,
Que eu seja imenso
De modo que sempre eu possa orientar
O meu próprio processo de germinação...

Descaso

Nos porões de navios em alojamentos lúgubres

Onde eram transportados os negros humilhados
Dissolvidos pela arrogância gerada pela brutal violência
Através da qual os faziam naufragar em inquietante dor,
Uma poesia triste e angustiante se constituía...
Ao chegar em terra firme essa poesia se derramava
Através da existência sacrificada dos sobreviventes
Que incansavelmente nutriam em suas almas caladas
O sonho de liberdade após cada dia de escravidão...
Arrastados a esse país carente de uma identidade nacional
Esses negros souberam implantar nele sua personalidade
Deixando cravada na alma do povo brasileiro sua cultura
De pele, e de sangue, e de lamento e de dor...
Gerações e gerações presenciariam o descaso
Mas o tempo em seu absoluto e intrépido seguir
Reafirmaria a riqueza de uma gente que aqui chegou
Em porões de navios em alojamentos fétidos...

Inocência Culpada

Pobre juventude entorpecida

Por falsos valores que lhe são impostos...
Fragilizadas crianças que quando se drogam
Jogam-se num abismo de onde não vêem saídas!
Nas ruas das cidades, abandonadas.
Escrevem um infeliz destino de morte forte...
Quantas vidas criminosas de si mesmas
De uma inocência gravemente culpada...
Pobre Humanidade envelhecida pelo descaso;
Ambiciosamente cruel e desumanizada...
Trata-se de uma vida envolvida em vida dilemas
Estabelecidos através dos riscos que se traz
Quando não se é capaz de uma assunção total!
Sofremos por não assumirmos a nossa verdade
Diante de nós mesmos...
Pobre juventude pobre!

Fragilizadas crianças
A roubar nas ruas
Das grandes cidades...
Infeliz destino: morte fria...